Cusco [Peru] Machu Picchu

Hiran Bingham, que descobriu as ruínas de Machu Picchu em 1911, descreve assim em seu livro A Cidade Perdida dos Incas, sua chegada ao santuário, quando encontrou índios vivendo no local:

“Pouco depois de meio-dia, já completamente exaustos, atingimos um pequeno platô coberto de grama a uma altitude de 600 metros acima do leito do rio. Ali, vários índios de boa índole, impressionados com nossa inesperada chegada, nos receberam com alegria, oferecendo vasilhas com água fresca e deliciosa. Então, eles colocaram diante de nós algumas batatas doces cozinhadas. Dois fazendeiros índios, Richarte e Alvarez, haviam recentemente escolhido esse ninho de águias para ser sua morada. Eles disseram que encontraram ali muitos terraços onde poderiam fazer crescer suas plantações. Rindo, eles admitiram que gostavam de estar ali livres de visitantes indesejáveis, tais como militares procurando “voluntários” ou cobradores de impostos.”

Estava descoberta Machu Picchu. Aquele local no alto da montanha, que servia para os índios plantarem e se esconderem das cobranças da sociedade, com o movimento turístico atual, produz cerca de um bilhão de dólares por ano para a economia peruana.

Fui a Machu Picchu no esquema de ir e vir no mesmo dia. Funciona. Entretanto, a proposta de viajar na véspera para Aguas Calientes, dormir lá e subir de manhã cedo de ônibus para assistir o nascer do sol nas montanhas oferece a oportunidade de ver o grandioso cenário de montanhas envolto na névoa. É espetacular. Com o jogo de luzes do amanhecer, o visual e fotos são uma maravilha.

O trem que sai de cusco às 06h40min chega a Aguas Calientes por volta de 09h30min. Deve-se tratar logo de pegar um dos ônibus que saem continuamente para o alto da montanha. Os bilhetes do ônibus para subir a montanha custam 17 dólares e podem ser pagos em soles ou dólares. O passe para visitar Machu Picchu custa 128 soles, deve ser pago na moeda local e comprado em Aguas Calientes, não pode ser comprado no alto da montanha, na entrada do parque.

Saltando do ônibus a gente vê o único hotel que existe junto a Machu Picchu, trata-se do Sanctuary Lodge. O hotel é bom padrão e coloca você a 50 passos da entrada do parque. É realmente um luxo tomar o café da manhã e sair direto para ver uma das maravilhas das civilizações que passaram pelo nosso planeta. Claro que para ter essa mordomia você deverá desembolsar algum. Afinal: “You get what you pay.”

A visita pode ser feita sem os guias. Se você estudar muito sobre o sítio arqueológico, poderá fazer sua visita sozinho. Recomendo contratar um guia. Decidi gastar um pouco. Peguei um guia individual para uma visita de duas horas. Custou 120 soles, mas parece que pode ser conseguido por preço menor, há que negociar… O guia diz o que é importante e a visita fica muito mais interessante.

Machu Picchu é mantido como foi encontrado em 1911. Quando alguma pedra sai do lugar, é recolocada. As coberturas de palhas da cidade como era nos anos 1300 se perderam. Como sempre, nas construções Incas, chama atenção o rigor nos encaixes das rochas.

A foto abaixo mostra um amplo auditório, onde se realizavam as cerimônias para os moradores permanentes (cerca de 600 habitantes) e os importantes visitantes da corte do Império Inca. O guia contou uma história interessante. Não consegui confirmar na Internet. Disse ele que no centro do gramado do auditório (dá pra ver uma marca na grama no meio da foto) havia um obelisco de pedra de cerca de 5 metros. Em 1975, o governo peruano recebeu um visitante ilustre (se me lembro, um ministro espanhol) que se habilitou a visitar Machu Picchu. Como o tempo do dignitário era muito precioso, ele foi levado de helicóptero ao santuário. Não havia um bom lugar para o pouso. Já imaginaram, não? Mandaram tirar a incômoda pedra do meio do gramado do auditório para permitir o pouso do helicóptero. E sumiram com a pedra. Bem, logo depois a UNESCO tombou Machu Picchu como patrimônio da humanidade. Acho que com isso salvaram o local de outras barbaridades.

Notem nas fotos a montanha de pedra que aparece ao fundo. Essa é Huayna Picchu, que atinge 2.700 metros de altura. Machu Picchu está a 2.400 metros. Pode-se fazer passeios até o topo da montanha, como o preço do ingresso em 150 soles. Antigamente limitavam o número de visitantes por dia. A cobrança do ingresso na trilha resolveu o problema. O tempo de ida e volta pela trilha é de três horas. É uma subida de respeito. Veja bem: a diferença de altura entre a base de Machu Picchu e o topo de Huayna Picchu são 300 metros. Imagine um prédio com 3 metros de altura para cada andar. Assim sendo, quando falamos de subir esta trilha (que tem umas escadarias no percurso) estamos falando de subir a pé um prédio de 100 andares. É coisa séria. A vista geral das montanhas olhando lá de cima é espetacular (sic) e justifica o esforço para os mais capazes. Meu preparo físico não recomendou a aventura. Deixei para outra vez.

Depois, almocei no restaurante tipo bufê que há junto à entrada do parque. Eu comprei o bilhete do trem com o almoço incluído. Comida boa e que chega bem depois do sobe e desce pelas ruínas da antiga cidade Inca. Terminado o almoço, um momento de relaxamento olhando a impressionante vista é a melhor maneira de passar o tempo antes de pegar o ônibus de volta.

Ainda no livro A Cidade Perdida dos Incas, Hiram Bingham descreve o final destinado aos últimos moradores da cidade santuário:

“… depois que outro invasor surgiu – agora vindo do norte, os espanhóis – com a determinação de apagar todos os vestígios da antiga religião, a cidade finalmente se torna o lar e refúgio das Mulheres Escolhidas. Aqui, trancadas num desfiladeiro grandioso, protegidas pela natureza e pela mão do homem, as “Virgens do Sol” uma a uma morreram no topo da bela montanha. Não deixaram descendentes dispostos a revelar a importância ou explicar o significado das ruínas que coroam os precipícios de Machu Picchu.”

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